#EscrevaUmPoema – Dia Mundial da Poesia

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Bom dia, Hoje é 21 de março, o dia mundial da poesia.

Sábado, propus para que minhas leitoras e seguidores escrevessem um poema, como um exercício semanal. Recebemos mais de 20 poemas, alguns deles selecionei, propus umas edições e os publicaremos aqui.

#EscrevaUmPoema será um exercício semanal, não selecionamos os “melhores” poemas para publicarmos, apenas retirei uma mostra. Então, fiquem atentas pois esse fim de semana teremos uma outra proposta de exercício, atenção também para as novidades que surgirão hoje, em comemoração ao dia mundial da poesia.

Para ler os poemas é só clicar na Imagem

 

Escreva Um poema

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Encontros para conversar sobre Literatura serão realizados na floresta do Curió

floresta-do-curió-3_somosvós_igordemelo-700x467O Curió é um bairro localizado na Regional VI de Fortaleza e para sorte de seus moradores é arrodeado de verde por todos os lados.  Em nosso bairro preservamos os últimos vestígios de mata atlântica em Fortaleza. Toda essa riqueza natural é protegida dentro de uma reserva ecológica, a  Floresta do Curió.

Para aproveitar o espaço de contato com a natureza, proporcionar encontros entre moradores do bairro, compartilhar conhecimentos, e tecer narrativas da literatura com nossas vidas, é que dois jovens do bairro do Curió, a Dançarina e arte educadora Patrícia Lopes, e o Poeta, Editor e Mediador de Leituras Talles Azigon, estão criando o Literatura da Floresta.

Durante os encontros serão convidadas pessoas diversas da Cidade de Fortaleza e do Bairro do Curió para falar de assuntos ligados a literatura e/ou partilhar narrativas e memórias  conosco, fazendo de nossa floresta, um verdadeiro local encantado por palavras.

Goreth-Albuquerque2A primeira edição do Literatura da Floresta acontece amanhã, dia 18 de Março de 2018, e recebe como convidada Goreth Albuquerque. Narradora oral, graduada em Pedagogia, graduanda em Psicologia, arte terapeuta. Elaborou, Coordenou e atuou como formadora do Curso Básico de Formação em Literatura Infantil e Formação de Leitores, um trabalho de implantação de política pública de formação de leitores para os 184 municípios do estado do Ceará, no Eixo Literatura Infantil e Formação de Leitores, realizado pela Secretaria de Educação do Estado do Ceará, que resultou no artigo “Curso básico em literatura infantil e formação de leitores: para amar o equilíbrio sonoro das palavras”, publicado no livro Práticas de Leitura no contexto da escola das diferenças (Editora da Universidade Federal do Estado do Ceará). Atuou como docente do curso de pós-graduação em Arte educação, disciplina “A história do ensino de Artes na educação brasileira” e na graduação em Pedagogia, disciplina “literatura Infantil’(Faculdade 7 de Setembro). Realizou apresentações de narração oral em diversos espaços: Festival Cordão de Histórias (Fortaleza e Crato/2015); I Encontro Internacional de Contadores de Histórias do Cariri (junho, 2014); Simpósio Internacional de Contadores de Histórias (Rio de Janeiro/2010 – Apresentação e Oficina); Festival de Café, Chocolate Flores de Pacoti (julho, 2009); “Contos dos quatro cantos do mundo” (Apresentação e oficina/Centro Cultural BNB/2009); Projeto Mar de Palavras, Jangada de Histórias (Dragão do Mar/2008 e 2009); Centro Cultural do Bom Jardim (Coord. Almir Mota – 2008). Participou do III Seminário de Arte e Educação – “Interculturalidade e Tradição Oral dentro da Escola” – Universidade Federal do Ceará/ UFC (2006) com a oficina: pesquisa de contos de tradição oral e a palestra: A tradição oral na sala de aula.download (1)

a Floresta do Curio fica na Av. Professor José Arthur de Carvalho, de Frente da Naturágua. Para vir de ônibus você pode pegar qualquer no Terminal da Messejana o Curió 676, o curió Messejana, 696, o Lagoa Redonda Direita 616, e descer na Delegacia do Curió, De frente da Naturágua.

Serviço 
Literatura da Floresta

Local: Floresta do Curió, Av. Professor José Arthur de Carvalho (de frente a Naturágua) 

Horário : 09:30

Informações: 85 981543909 ou tallesazigon@gmail.com (Talles)
OBS: Recomendo levar água e repelente e vir com roupas leve, também pode-se trazer algum alimento para partilhar em nosso picnic 

 

Quintal da Poesia, um espaço de Fruição e Formação literária em Sobral.

FB_IMG_15209771728198088 (1)A cidade de Sobral tem se destacado no Ceará com uma gestão de cultura cada vez mais atuante. Recentemente a cidade promoveu sua primeira Feira do Livro, conta com um centro de formação atuante para todas as linguagens artísticas, a ECOA, e tem proliferado inúmeras ações em música, teatro, cultural e infância, artes urbanas e agora na Literatura.

Poetas e Escritores uniram-se com a Secretaria da Cultura, Juventude, Esporte e Lazer para organizar e realizar o Quintal da Poesia. Os eventos acontecem quinzenalmente e tem por objetivo fomentar atividades voltadas para área de Literatura na cidade.

O projeto realizado na Casa da Cultura situada na Av. Dom José, 929 , objetiva ser um ponto de encontro e intercâmbio, realizando saraus como microfone aberto e espaço para apresentação para artistas de todas as linguagens. Além disso, o quintal também atua na formação de escritoras e escritores como oficinas, vivências, minicursos e afins.

Na programação de hoje, 14 de março de 2018, o Quintal Literário realiza uma edição especial em comemoração ao Dia da Poesia e o Mês das Mulheres. A programação acontece nesta quarta-feira (14), às 19h, na Casa da Cultura, com bate-papo literário, trazendo Licyane Rodrigues (Sobral) abordando o tema “Literatura, mulher e corpo”. Em seguida acontece no quintal, sarau musical com o grupo “Caboclas” (Sobral), microFB_IMG_15209771836777818.jpgfone aberto, troca de livros e feira criativa.

 

Serviço
Quintal Literário
edição especial em comemoração ao Dia da Poesia e o Mês das Mulheres.

Local : Casa da Cultura Sobral, Av. Dom José, 929

Horário: 19h

Gratuito

Quanto vale um livro de poemas? A experiência do Saral + Livro Saral para baixar

IMG_20180313_161525414-1.jpgPreparo há dois anos um livro de poemas intitulado “o coração da pedra”, este livro era para ter sido publicado ano passado de 2017, porém algo muito urgente tomou conta de mim.

Estava escutando Racionais dentro de um ônibus, maravilhado com as construções poéticas que o Mano Brown conseguia estabelecer, pensei na poesia do Mano, principalmente a que se inscreve em diário de um detento, próxima a de João Cabral em morte e vida severina, na perspectiva de ser presente nas duas a vozes um sujeito excluído socialmente tentando fugir da morte, quando a morte quase lhe colhe todos os dias.

Pensei em quantas pessoas sabiam de cor o poema do Mano, principalmente por estar associado com a música, pensei também como é triste o poema não ter o apelo e o alcance de uma canção de rap quando a palavra é a faca de corte dos dois.

Por essas reflexões nasceu o Saral, imaginei-o sendo um livro como os meus poemas menos doces, depois entendi não adiantar apenas isso, se eu queria tocar em temáticas sociais, políticas, ele deveriam em si proporcionar uma experiência pelo menos metafórica disso. Logo surgiu-me a ideia de além de um livro ser uma performance e uma pesquisa, ele não teria um preço, seria comprado pelo valor que a compradora/ o comprador julgassem poder/querer pagar, daí observaria e investigaria a relação de preço/valor aplicado a um livro de poemas.

Foram impresso 500 exemplares, custeado com a colaboração de algumas pessoas através da vakinha online, rapidamente os livros se foram, circularam, alcançaram públicos diversos. E com um formulário de pesquisa mais as observações na hora da compra, posso seguir o seguinte pensamento a respeito das minhas próprias dúvidas:

Quanto vale um livro de poemas?

Alguns fatores influenciam o preço de um livro, os custos de produção é um deles, nesses custos estão envolvido o valor da impressão, o desing, projeto gráfico do livro, diagramação, onde ele será vendido, e, a depender do formato de publicação, as remunerações da/do autor/a e da editora.

No preço do livro também está incluído os riscos e a divulgação. O risco pode influenciar o preço de um livro para mais ou para menos, algumas escritoras e escritores independentes com medo de que sua obra não seja acessada derrubam o preço real de seu livro para abaixo do justo, em outros casos aumenta-se o preço do livro acima do justo para poder compensar mais rapidamente o valor dos custos de produção.

A publicidade do livro é outro fenômeno a parte. Há determinadas situações em que gasta-se mais no material publicitário, em campanhas, brindes, agrados, do que na própria produção do produto. Esse investimento procura remendar a falta de identificação que ainda temos com a leitura, e trazer para próximo pessoas que farão somente a compra pontual do produto em questão. Isso é tão perceptível que as grandes editoras e livrarias, as que mais lucram no mercado do livro, não estão muito interessadas em financiar ações e programas de formação de leitores, uma visão estreita.

Influencia o preço do livro, tanto para mais como para menos, nossa relação com a leitura, alguns livros acadêmicos e outros obrigatórios, geralmente tem um preço muito mais elevado do que o necessário, pois ignoram essa relação, ou falta de relação. Enquanto alguns outros gêneros como a poesia tem seus preços quase sempre diminuídos, principalmente os de autores mais desconhecidos. Esse fator também influencia na tiragem do livro, que como citado anteriormente vai influenciar também no preço. Ou seja, é muito mais complexo do que imaginamos.

É bom lembrar, as/os poetas dentre os escritores são as que são mais mal remunerados, poucos conseguem status de mais vendidos, e seus nomes quase nunca viram grife de grandes bienais e feiras internacionais de livros.

O livro de poemas dificilmente será vendido por um preço de vantagens como é vendido um romance, não que um livro de poemas vai ter preço sempre mais baixos, como falei esse calculo é muito complexo.

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A experiência do Saral

Os fatores apontados para a constituição do preço de um livro são mensurados e executados pela indústria. Por mais que esteja aí um certo conhecimento do público leitor, o púbico leitor não tem o poder de interferir nesse preço, até tem um modo, quando compra ou não. No Saral o poder de estabelecer preço/valor para obra é dos leitores.

Fatores de decisão para o preço do Saral (segundo a pesquisa e a observação)

– Valor médio do mercado

– Relação afetiva com o autor

– A performance feita antes do livro ser vendidos

– A vontade de apoiar o projeto

O público fez o julgamento de preço por uma média ideal estabelecida no mercado, entretanto o preço que as pessoas estão dispostas a pagar está diretamente relacionado com o autor da obra, se eles gostam desta pessoa, o que a pessoa representam para ela ou para comunidade em que se está inserida. A autoria é uma espécie de grife, ao contrário que uns intelectuais pensam, se estabelece e fortifica-se cada vez mais. Não é simplesmente o preço do livro x, é o preço do livro doautor/a x.

Boa parte de quem adquiriu o Saral tem costume de comprar material parecido, porémpara outra parte significativa foi a possibilidade de pela primeira vez comprar um livro de poemas, principalmente quando o público era mais jovem e de escola. Poder de compra é um poder significativo, quando se está inserido em situação de empobrecimento, quando o básico falta, acessar um produto cultural é inviável.

Em contato com alguns alunos, soube desse “poder ter” um estímulo, sensação de recompensa, alguns casos, em que livro foi comprado por centavos, eles mesmo assim sentiam-se importantes, pois estavam remunerando um artista.

Recebo muitas fotos do Saral em comentários, em postagens de redes sociais, o livro continuou fazendo sentido mesmo depois da compra, o valor lançado mão, era de fato, para a maioria dos compradores, quantias significativas, fossem centavos ou reais.

A angústia da maioria dos compradores, principalmente daqueles que de certa forma tinham mais intimidade comigo, e que sabia da importância do trabalho e da pesquisa agregada ao livro, era não poder adivinhar um valor correto ou perto do corrento, a sensação de frustração partia do impasse de não querer prejudicar nessa compra, com o de não querer ter seu dinheiro comprometido, um pensamento muito justo, mesmo a culpa os perturbando. Tentei passar maior clareza e imparcialidade para não influenciar nas decisões individuais.

Baseado no financiamento colaborativo, com toda a grana complementada por mim, o valor correto, segundo minha experiência de mercado seria de 15 reais para o saral. No fim, o apurado real ficou muito próximo disso, mostrando um sistema de compensação, que deveria ser feito pelo Estado, sendo feito pelo próprio público consumidor.

Não foi a toa, ao colocar a relação comigo e com meu trabalho já conhecido, ou mencionado, ao comprar o livro, compra-se a minha história, uma espécie de “importância para o todo”. Isso foi citando por uma pessoa que adquiriu o título por 100 reais, ou seja, 6 vezes mais o preço ideal de 15 reais.

Questionadas ainda sobre qual seria o preço correto, 36% das pessoas acertaram a projeção, 34% mencionaram um valor superior a minha projeção de preço e somente 30% disseram um valor menor do que a projeção estabelecida. O que me leva a acreditar que ao contrário do imaginado, as pessoas entendem a precificação de um livro de poemas, porém o público comprador foi um público ideal, afetado com a performance, um publico, de certa forma mediado, ou seja, quando se tem de algum modo a construção de sentidos e significados de um livro de poemas, é mais facilitado a valorização desse livro/objeto/produto e também do poeta que o produziu.

Outras considerações poderiam ser traçadas a respeito de Saral, muitos exemplares foram doados para grupos e campanhas arrecadarem dinheiro para sim, e isso foi bem recebido e repercutido, muitas histórias e vivência ele me proporcionou. É um livro vivo, pulsante, gerador de uma das melhores sensações da qual um poeta pode ter, o de ser lido.

Vou deixar aqui o livro-sarau-talles-azigon (versão digital)

Você pode ler, indicar e compartilhar essa obra, essa experiência, essa pesquisa, essa performance chamada Saral.

Herbenia Gurgel, a nossa bibliotecária.

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Herbênia Gurgel à direita

A vida das Bibliotecárias é, muitas vezes, discreta, como seu ofício. Pessoas responsáveis por organizar todo o conhecimento do mundo, não simplesmente para guardar em prateleiras, sim para fazer esse conhecimento circular e chegar nas mãos de quem dele necessita, esses/essas profissionais possuem afazeres que ajudaram a construir a nossa humanidade.

Mesmo com tanta importância mal sabemos os seus nomes, quais bibliotecários famosos você consegue citar? Eu, poucos, e olha que sempre tive uma relação de amor com essa classe, imagina todo o grande público que pensam a imagem dessas pessoas como aquela vendida pela indústria do entretenimento, de uma pessoas chatas, austeras, sempre a pedir silêncio.

No ano de 2014 iniciei as atividades de um dos projeto que escrevi e participei, o Fortaleza XXI. Nessa ação, investigaria junto com meus sócios da Substânsia, qual era a produção literária fortalezense do Século XXI que a Biblioteca Dollor Barreira, situada no bairro do Benfica, abrigava sob seu teto.

Durante o projeto conheci a bibliotecária da Dollor, Herbenia Gurgel de presença, porque de nome já a conhecia, muitas pessoas já haviam falado-me dela com muito carinho. Foi uma grande honra poder conhecê-la.

Com Herbênia compartilhei toda a minha tristeza pelo grande depósito de livros que a gestão de Roberto Cláudio tinha transformado a Dollor. Minha tristeza era pueril diante do lamento de Herbênia, mas diferente de mim ela fazia algo. Além de todo o tempo de vida dedicado àquela biblioteca, muitas vezes ela tirava dinheiro do bolso para comprar água, café, e até os cabos da internet, pois era a sala de informática, ainda, um dos poucos atrativos que faziam a biblioteca não morrer.

Herbênia nos deixou, para fingir que lhe dava alguma importância, o que é uma mentira sem tamanho, a prefeitura de Fortaleza nomeou uma biblioteca no Conjunto Ceará com o seu nome e forjou uma inauguração, mais um passamento de vergonha do que uma homenagem realmente sincera.

O sonho de Herbênia, a nossa bibliotecária de Fortaleza nascida em Acopiara, era ver a Dollor linda, cheia de pessoas, com um equipamento moderno, um acervo bem cuidado e ampliado, uma grande e boa equipe, me segredara isso uma vez. Ela nos servia informação e Literatura, para ela quero desejar esse dia das/dos Bibliotecários e lhe agradecer por tudo que fez por nós, por tudo que fez por nossa ignorada, sucateada biblioteca municipal.