Se a Cidade fosse nossa

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A Cidade sendo nossa, os poetas a escreveriam, os compositores a comporiam, os músicos a cantariam e os dançarinos a bailariam, novas letras em cada muro, nas ruas de dentro, história passadapresentefutura na linha de rosto do povo que nela morasse, outros postes, praças nas notas sustenidas, sons mais distintos, dos vendedores ambulantes que mesmo ao meio de imensos shoppings não somem, movimentos outros, para além do movimento dos carros e sinais de trânsitos, um silêncio só possível de ser capturado na ponta do sorriso de um palhaço de rua.

Isso, evidente, se a cidade fosse nossa. Se a cidade fosse nossa, os moradores não seriam eleitores, seriam pessoas que sentam nos bancos das praças para namorar, levando os cachorrinhos a passear, mulheres que vendem churros a um preço justo.

Teria menos lixo, o homem do lixo seria o homem do livro, a jornada de trabalho bem menor, vocês, enfim, dormiriam mais do que 4 horas por dia. Haveria gente no teatro, gente no cinema, gente no meio da rua, gente nas bibliotecas, lógico, não sendo isso utopia, ainda existiria o tráfico de drogas, e invariavelmente alguém seria assaltado numa rua escura, mas a cidade seria nossa, o que nos daria direito às árvores mesmo continuando a existir homens de farda muito tristes chamados policiais.

Outro fato interessante é que existiriam bairros, além daquele onde mora o prefeito, e as pessoas além de morar poderiam vivê-los. Não seria necessário encher de tapume algumas ruas quando os chefes de Estado nos visitassem e eventos internacionais acontecessem, pois as casas das favelas também seriam a cidade do mesmo modo que são os prédios e os condomínios de luxo.

Ah! Se a cidade fosse nossa, ela seria bem maior do que essa cidade de tinta impressa nos guias turísticos.

(Originalmente publicado no portal LiteraturaBR em homenagem ao aniversário de Fortaleza)

Lonjura se mede com a vontade

Para quem me ama a Maraponga é bem ali. Já dizia o Tom zé, quem se sente com saudades não economiza. Não economiza pé, medo, coragem,passagem de ônibus, dinheiro de Uber. Quanto menor a vontade, maior a distância. É uma equação relativa, um espaçotempo descoberto por Einstein, mas sabido por toda gente há muito tempo.

Eu mesmo, para não contar as muitas histórias conhecidas de gentes e seus cavalos, seus barcos, trens, bicicletas e ônibus, das gentes que não reclamam nem contam quilômetros, já corri muitas ruas de Fortaleza para encontrar aquele abraço, aquele beijo. Perimetrais, Vias Expressas, por dentro, por fora, para chegar no Bom Jardim, na Caucaia, no Curió, no Conjunto Ceará, na Vila Velha, para quando chegar responder aquela famosa pergunta, longe? com a resposta, nem tanto assim.

Afinal, o mundo é redondo para não ter lados, então daqui praí é o mesmo daí pra cá. Não moro no fim do mundo, pois o mundo não tem fim, nem começo, isso é conversa de colonizador que faz mapa e coloca o continente deles no meio de tudo, no centro. Eu quero me descolonizar.

 

 

Devia ter falado

approaching-a-cityOntem, você passou correndo pela 13 de maio, tive vontade de gritar, mas acho que você estava apressado.

Ontem te vi no terminal da Parangaba, você estava bem ao meu lado, parecia também envergonhado, eu poderia ter puxado assunto.

Pelo vidro vi você passando, deu vontade de sair da sapataria e ir conversar contigo,  tinha um assunto importante para tratar.

Essa é uma postagem pequena, podia ter mais palavras, mas não tem. Pois, a vida é assim, acontece ou não acontece e, muitas vezes, depende um bocado da gente.

Da próxima, talvez, com um pouco mais de esforço e um pouco menos de pudor, possamos encompridar um pouco mais.

A vida.

Eu nunca entendi… onde se encontra seus ouvidos e seu coração

casa de velho
Capa do EP do Grupo Casa de Velho, com Fotografia de Sávio Félix

Essa é uma postagem musical.

Não entendo muito, falo tecnicamente, de música. Apenas amo e acredito que amar já é uma forma de compreensão. Por isso estava há alguns dias com certa vontade de escrever sobre o assunto, queria falar do incomodo de o Brasil estar fervilhando de grandes artistas, produzindo diversidade, novidades que chegam-me através do Spotfy, das redes sociais, mas do bolo todo quase não escuto falar da fatia de artistas cearenses.

Comecei a pensar motivos, cheguei em alguns possíveis:

  • Não há muitos artistas cearenses produzindo? (NÃOOO) Comecei a contar nos dedos, perdi as contas, muita gente.
  • Eu sou um desinformado? (É POSSÍVEL) Não poderia abarcar tudo, porém não seria esse fato, pois estou conectados, as notícias aparecem, as amigas e amigos compartilham.
  • Questão de gosto, afinal gosto é… ?(MENTIRAAAAA) Esse papo de gosto está cada vez mais desacreditado, o chamado gosto pessoal, tenho desconfiado bem muito dele, não vou nem entrar muito no mérito dessa questão, ainda não quero falar sobre ideias não amadurecidas.
  • Simples desconhecimento…? (PROVÁVEL) A internet ajuda muito, contudo os meios tradicionais de mídia ainda são bem fortes. Não tem música da galera daqui na novela da globo, algumas das galeras nem desejaria isso, acredito e estão certíssimos, tem coisa bem mais importante na vida do que sucesso.

Um grande universo de fatores passaram por minha cabeça, as protagonistas do mercado fonográfico podem colocar pontos mais qualificados que os meus, contudo quero falar sobre um deles, um ponto que influencia não só a música cearense, também a literatura, as artes plásticas, as artes no todo. O querer.

Sim, a bruta flor do querer, não parece glamouroso suficiente sair com um exemplar de um livro da Ayla Andrade ao invés de um do Dostoiévski (não estou comparando os dois, amo e leio as/os dois/duas). Uma grande bobagem, permita-se aí companheira, desconstrua-se companheiro, experimente a arte do lugar.

Querer junto com o permitir-se, aliado ao desconstruir-se, somados ao praticar formam uma equação bem interessante. Uma equação que vai lhe garantir muitas descobertas, de quebra fomentar verdadeiramente tanto o mercado da arte no Estado, colaborando para que ele se torne mais sofisticado e diverso, apoiando gente das suas área. Isso é massa.

Há outras vantagens em trazer seus ouvidos e corações para mais próximos de onde você mora, você poderá encontrar mais facilmente com as pessoas que produzem essa arte, entender o que acontece no seu entorno e aumentar sua autoestima (sabe aquele momento que você disse, cara isso é de uma escritora da minha cidade, freud né, ou saca essa banda, esses meninxs são daqui, maravilhosxs).

Posso mostrar algumas possibilidades:

Casa de Velho: eles acabaram de lançar um EP no youtube, já fizeram alguns shows pela cidade. As letras e sonoridade chegaram certeiras ao meu coração, a imagem dessa postagem é a capa do EP deles escuta só:

https://www.youtube.com/watch?v=-TZbN4PKlIU

Daniel Medina: Uma amiga mostrou a música Lágrima de Índio, fiquei encantado, música tão envolvente, e os bairros cantados, conhecia todos, depois só fiquei mais apaixonado, a música Cancioneta é minha predileta. O Daniel lançou recentemente seu primeiro  Single, vale conferir e buscar mais coisas dele espalhada por aí. aqui alguns links:

https://www.youtube.com/watch?v=oMLBod2w7iA
https://www.youtube.com/watch?v=Vy8jLBuvpXs
https://www.youtube.com/watch?v=WJFoiEII4OA

Lidia Maria: Tem um CD lindo, chamado alma leve, a Lidia compões, toca vários instrumentos e tem uma voz muito linda. Você pode escutar aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=lgUnH8w2TGw&list=PLc74zlNuBDCnv-mHPGryw7r_eJA3H3QRO

Oco do Mundo: Não adianta só escutar, tem que conhecer de pertinho esse bando de gente lindo, poesia, música e diversão tudo junto. Tem esse clipe aqui deles no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=amsNlP8sDec
Para as pessoas que amam Spotfy, tipo eu, tem também algumas artistas do Ceará  que estão sempre no meu play, vou lincar algumas

Lorena Nunes ❤ ❤ ❤ ❤ ❤ ( cinco corações na minha tabela de

classificação, rsrsr poderia sem uns mil ^^ amo muito)

Paula Tesser ( Conheci a pouco, outra indicação de amigos, vicei)

Cidadão Instigado ( Made In Ceará, um mói de gente ama, eu amo também)

Jonnata Doll e os Garotos Solventes (Muito rock´nroll)

Mais que isso é com vocês, pode indicar eu quero, eu gosto.

 

 

 

 

 

Eu nunca entendi… O coração ausente de amor por Fortaleza

Renan Matos Magalhães Fotografia
Foto de Renan Matos Magalhães que assina a Página Fortaleza Monocromática 

Peguei carona com Lia Sanders, romancista que acabamos de publicar pela Editora Substânsia, ela iria me deixar em uma determinada livraria do bairro Aldeota. No percurso comentava meu dissabor pelo bairro, o isolamento e a antipatia de parte de sua população, o que ela tratou de desconstruir, colocando pontos interessantes e o paradoxo no qual o bairro do meu desgosto foi construído, desde então comecei a pensar diferente.

Não tardou e a conversa ganhou um tema mais amplo, falávamos sobre a cidade, principalmente falávamos sobre a falta de apreço de muitas e muitos por Fortaleza, escuto constantemente sobre querer ir embora, que é insuportável estar/viver aqui. A escritora lança “as pessoas não entendem que elas são a cidade”. Passamos um tempo comentando o que pode ser doce e o que pode ser amargo nessa invenção chamada Fortaleza.

Desde então tenho ruminado, pensar locais é algo que gosto muito de fazer, quando minha poesia não está mergulhada no subjetivo das relações, ela está versando sobre os territórios, os que avisto no meu percurso andarilho pelo país, e principalmente os territórios que me circundam e me formam, a Maraponga, o Curió, o Benfica. Os dois primeiros distantes do centro, periferias que tantas vezes não figuram no imaginário coletivo como pertencentes à cidade.

Eis que me faço indagante e indagado, qual cidade é possível ou impossível para ser amada ou não? Busquei na memória as principais pessoas conhecidas que gostam de pensar o assunto, Fernanda Meireles e seu cidade Solar, todo papo que troco com ela é oportunidade de reinventar Fortaleza dentro de mim, Júlio Lira e seu Percursos Urbanos, Programa vital para ver/ouvir/sentir/viver a cidade inteira, livre das fragmentação ou polarização centro/periferia. O Júlio, junto com o Percursos Urbanos deveriam ser uma política pública diária, afinal eles são responsáveis, sou lhes grato por isso, de apresentar Fortaleza aos fortalezenses.

Outras pessoas entraram na minha recordação, são muitas, ainda bem, porém diante o refluxo de apatia se fazem poucas, necessitamos multiplicar essas e esses encantadores da cidade.

A cidade é um discurso, tem muito mais a ver com o que dizem sobre ela do que com o que ela realmente é. A existência toda é inventada na palavra, não se pode negar o magnífico, o grandioso? Com o discurso pode, sabe a música do Caetano “O antropólogo Claude Levy-strauss detestou a Baía de Guanabara: Pareceulhe uma boca banguela.” Então um lugar não é só mar, montanha, pedra, concreto e tijolo, um lugar é, mar e palavra, montanha e palavra, pedra e palavra, tijolo e palavra.

Quando um coração estar seco de amor por uma cidade, na verdade ele está seco de narrativas também, não é só questão de imagem, é imagem e poema. Isso é um problema político e social, quem não ama um local, não há de querer muito contribuir para esse determinado local, ou seja voltamos para o início do texto, as pessoas são a cidade, assim ela se integra ou desintegra de acordo com a vontade das pessoas que a habitam, que a narram, que a inventam.

Tenho muitas narrativas sobre o bairro que nasci, tanto que escrevemos um blog, eu e a artista Jéssica Gabrielle, o Amaraponga. Tenho narrativas também sobre as noites de sexta pelas ruas do Benfica, ou o pôr do sol da Barra do Ceará, visto do CUCA da Barra é impressionante, tenho narrativas sobres os campinhos do Curió, ou as tardes caiadas de luz no Conjunto Ceará, tenho histórias sobre o centro da cidade, sobre o José Walter e agora estou tecendo narrativas dentro de mim sobre o Damas.

É um comprometimento poético tão grande por esse lugar que não é possível ser indiferente, eu faço parte disso tudo, estou inserido, sou um conjunto em interseção com a cidade. Pode as outras pessoas não a amarem, eu aceito essa ausência e conheço todos os problemas de viver aqui, mas entender, nunca entendi.

Eu nunca entendi… A rua

O poema do Antonio Cícero diz assim:

melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos

Fiquei remoendo esse poema cá dentro quando resolvi sair de casa e dar um pequena volta no quarteirão. Morar em um apartamento ou em um condomínio foi sempre uma espécie de pesadelo para mim, devido a sensação de ficar preso em uma metáfora de gaiola, não são pouco as/os poetas contemporâneos que tecem essa relação.

Fui um menino de casa, eu tinha quintal grande, para além do quintal eu possuía sempre a Maraponga inteira para circular quando como quisesse, é por isso que sempre me ataca esse medo da falta de liberdade.

Há muitos acontecimentos tristes explodindo na minha cidade, no país e no mundo inteiro, por ser poeta, receei colocar mais palavras no vulcão de lama dessa internet, andava procurando palavras boas, palavras de encorajamento, não que a indignação esteja calada, chorei um incontável número de vezes, li o Morte e Vida Severina procurando um punhado de ânimo na alma, e como relatei de início, fui dar uma voltinha.

Lá no meio de tudo, na procura de nexo, percebi como os anos e as invenções maravilhosas do capitalismo têm se esforçado tanto para nos empurrar para dentro de casa.  ´´A cidade é um perigo´´, ´´saia de casa não´´, ´´volte cedo´´. A ideia de local fechado seguro é construída nas nossas mentes em detrimento aos locais livres inseguros

Eu não tenho medo da Rua, mesmo nos incutindo o fato de a rua não ser um bom lugar para as pessoas frequentarem, desnorteio-me procurando entender em que parte da história essa máxima se estabeleceu com tanto afinco. Fui de rua nesses anos todos, poucos vinte e seis anos, nas ruas me aventurei em descobertas amorosas, conheci os amigos, fui espectador de acontecimentos deslumbrantes. Das ruas saem muita matéria para minha poesia.

No meio da rua colocávamos calçadas e ficávamos a olhar o povo que passa, a gente pulava corta, brincava de macaca, se escondia uns dos outros no esconde-esconde, nos encontrávamos.

Ao contrário das casas, simbolo maior do privado, a rua é pública, mesmo esse pública tendo ganhado muitas aspas, a rua tem que ser da união, sempre. Não a União Estado, a união das pessoas.

A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava

Carlos Drummond de Andrade

Elas possuem belos nomes, isso quando não foram tristemente renomeadas com nomes de Ditadores ou Políticos vaidosos ansiosos para serem perpetuados na história sem contribuir quase com o bem comum. Na Maraponga, por exemplo, existe a Rua Uirapuru, sempre que passo por ela lembrando seu nome vem-me logo a sensação de canto de pássaro.

Na rua, ainda mora aquela esperança de um encontro de fazer tremer as nossas pernas, aquele encontro prometido depois de alguma despedida chorosa em que alguém diz para a outra:

– Nos esbarramos por aí

com um complemento subentendido: Pelas ruas!

Eu nunca entendi… A Chacina e a Norma

NÃO DEU CERTO

Eu sou estudante de letras e nunca entendi  por que a quebra da Norma Padrão incomodar tanto.

Eu sou jovem, negro, vindo da periferia e nunca entendi por que o extermínio da população jovem, negra, pobre incomodar tão pouco.

Quando uma notícia relativa a linguagem repercute bem mais que uma noticia relativa a chacina de pessoas da periferia, alguma coisas tem de muito errada, e não é apenas um  “á”.

Explico, ontem duas notícias me chegaram de formas diferentes, a primeira, artistas urbanos de Fortaleza resolveram fazer um pequeno arranjo ortográfico em uma intervenção espalhada por quase toda a cidade, algo simples, porém milhares de compartilhamentos e comentários na minha timeline dizendo: ainda bem, morria de agonia, até que enfim, ufaaaa. O Rearranjo se referia a modificação do stencil “Vai dá certo´´, fora da norma culta para o padrão da norma culta “Vai dar certo´´.

Segunda notícia, minha mãe, moradora do Curió, bairro onde vivi quase três anos, liga apavorada dizendo que homens misteriosos com armamento pesado, entraram no bairro distribuindo tiros gratuitamente contra a população, matando alguns jovens, atingindo pessoas que resolviam prestar assistência aos feridos, provocando um verdadeiro terror. Minha mãe pediu para não ir lá, ficou muito preocupada com toda a situação. Esse acontecimento no Curió aconteceu logo após o assassinato de um policial.

Fui em busca de notícias sobre o que estava acontecendo no bairro, demorou um tempo para que as agências de notícia da cidade de Fortaleza começassem a compartilhar os acontecimentos, enquanto isso a patrulha da Norma culta batia suas panelas nas redes sociais em uma comemoração sem lógica, afinal era um stencil, não o discuso de posse na acadêmia brasileira de letras.

Fiquei pensando cá com os meus botões,  facilmente poderia ser eu um desses garotos assassinados, poderia ser o meu melhor amigo também, na vida assistimos a morte de muito dos nossos colegas de infância, não fizemos parte da estatística sombria porque tanto eu, quanto meu melhor amigo sempre tivemos interesse sobre o mundo da informação, sempre quisemos estudar, nos formar, conhecer outros lugares e perspectivas, por uma questão de sorte, quem engendrar aqui a palavra mérito é um cínico e não sabe nada, nada sobre a vida, a nossa vida de criança e jovem da periferia.

A educação pode ter sido transformadora no meu caso, no caso de meu melhor amigo e no caso de muitas amigas e conhecidos meus , também pobres, também negros, também vindos da periferia, contudo essa educação não DEU muito certo.

Essa educação está ainda muito distante de ser uma educação pela vida, pela dignidade, pelos direitos das mulheres, pelo respeito aos corpos, pela emancipação, pelo fim das desigualdades, pela diluição dos preconceitos, até mesmo porque, pasmem diante desse paradoxo, essa educação formal recebida nas escolas e universidades é uma das principais alimentadoras das diferenças.

Dentro da universidades Federal do Ceará, um das disciplinas mais úteis e interessantes da minha vida foi a de Sociolinguística, por causa dela, certo dia na aula de Latim, o professor só faltou me engolir com um discurso moralizante, eu percebia como a universidade não tinha nexo.

Porém, não desanimo, também chega aos meus ouvidos notícias de estudantes paulistas ocupando escolas contra a opressão de um governo liberal e assassino, notícias de estudantes organizando movimentos pelos direitos das mulheres, estudantes transformando suas realidades locais, estudantes que fazem da informação poder de transformação não discurso alienante, isso sempre me enche de orgulho e esperança, nessas horas eu paro e penso em voz alta.

Vai dá certo.