10 poetas com o sagrado – A poesia também é uma questão de Fé

slide1_ogestoProfana, a poesia fala do corpo, do gozo, da morte, da violência. Social a poesia fala das opressões e desigualdades. Metalinguista a poesia fala de si, para si. Tantas faces tendo o poema, não deixaria ele de eximir uma face sagrada, contemplativa, voltada para o divino.

Durante a história mundial da literatura temos muitas e muitos poetas fazendo versos de sua fé, usando a palavra para contemplação e exaltação da coisa divina, seja o divino uma entidade cujo nome não se adivinha, seja o divino refletido na natureza, seja o divino materializado na ação da fé, que conduz a caridade e ao auxílio dos mais necessitados.

A face de Deus, da Deusas, ou dos Deuses, seja como for que se configure a fé de tão diferentes pessoas e povos, se revela na palavra. A palavra é sagrada, ela abre portas magicamente nos contos extraordinários dos árabes, ou é o próprio Deus para os Hebreus.

Conheça 10 poetas que fazem do poema algo divino


Dogen Zenji – O Zen Budismo

O Zen é uma das Escolas do Budismo, filosofia/religião oriental, que propõe, entre as outras coisas, a ampliação da nossa visão para o cosmo, e para si. Tudo tem sua poção de divindade, e ter consciência dessa materialidade para enfim se desmaterializar é uma visão budista. Um dos seus grandes mestres utilizou-se da poesia para passar tais ensinamentos. Nascido em Kyoto, Eihei Dogen ou Koso Joyo Daishi nasceu no ano de 1.200 e sua obra perdura até hoje.

Quando uma gota d’água cai no oceano,
quando um grão de pó cai na terra,
a gota d’água já não é
mais uma gota d’água,
torna-se o Oceano,
e o grão de poeira
torna-se a Terra inteira.


Maomé – O Profeta e Poeta do Islãilustracao_eugenio-tonon-1-750x500

Antes de Líder Religioso de uma das maiores religiões do Mundo, Abul Alcacim Maomé ibne Abdalá ibne Abdal Mutalibe ibne Haxim , mais conhecido como Maomé, nascido em Meca, era um dos eloquentes poetas dessa cidade sagrada. Foi através do verso que o Profeta do Islã estabeleceu sua relação com o divino, arrebatando o coração de tantas e tantos seguidores árabes, um povo que sempre prezou a beleza da linguagem.

Recita, em nome do seu Senhor que criou

Criou a humanidade a partir de um coágulo de sangue

Recita, que seu Senhor é generoso

Aquele que ensinou pela escrita

Ensinou à humanidade o que ela não sabia


A Pítia / Pitonisa – Uma mulher poeta e oráculo no templo de Apolo

Os reis, generais, e todos os ricos, poderosos, assim como o povo da Grécia toda, quando afligidos pelo mal e pela dúvida , corriam até Delfos em busca do Templo de Apolo, que abrigava dentro a poderosa Pitonisa, sob efeito de ervas sagradas, em transe constante, recitava poemas profecias misteriosos, para aplacar a dúvidas das/dos fiéis. Mesmo sem um copilado dessas falas poéticas, a importância da Pítia foi imensurável para cultura ocidental. Oráculo e Poesia formam desde tempos antigos uma parelha poderosa.

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Mesmo Palas não consegue abrandar o Zeus Olímpico,

Mesmo pedindo e implorando com palavras e conselho sagaz.

Mas a ti digo eu ainda uma palavra, forte como aço:

Todo o resto abandona o inimigo, tudo o que as muralhas de Crécrops

E os desfiladeiros do Citereu, a montanha sagrada, compreendem

Apenas incólume a lígnea muralha concede o senhor Zeus

À tua Tritogênia, para ti e tuas crianças em proveito.

Não espera pelas multidões de cavaleiros e de infantes,

Que se aproximam por terra; não permanece tranquilo não!

Volta-lhes as costas e escapa: depois poderás te colocar contra eles.

Divina Salamina, tu, tu destróis aos filhos das mulheres,

Quando os frutos de Deméter são espalhados ou amarrados.


Eclesiastes / O-que-sabe

Salomão e Davi são dois poetas muito talentosos da bíblia sagrada, porém é o poeta do Eclesiastes o grande destaque do livro Sagrado da Cultura Hebraico Cristã. O livro é um dos que mais influenciam a literatura ocidental, e nele há versos repetidos aos borbotões como “vaidade das vaidades/ tudo no mundo é só vaidades” ou “não há nada de novo sob o sol”

Palavras do Eclesiastes, filho de Davi, rei de Jerusalém.

Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade.

Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?

Uma geração passa, outra vem; mas a terra sempre subsiste.

O sol se levanta, o sol se põe; apressa-se a voltar a seu lugar; em seguida, se levanta de novo.

O vento vai em direção ao sul, vai em direção ao norte, volteia e gira nos mesmos circuitos.

Todos os rios se dirigem para o mar, e o mar não transborda. Em direção ao mar, para onde correm os rios, eles continuam a correr.

Todas as coisas se afadigam, mais do que se pode dizer. A vista não se farta de ver, o ouvido nunca se sacia de ouvir.

O que foi é o que será: o que acontece é o que há de acontecer. Não há nada de novo debaixo do sol.

Se é encontrada alguma coisa da qual se diz: Veja: isto é novo, ela já existia nos tempos passados.

Não há memória do que é antigo, e nossos descendentes não deixarão memória junto daqueles que virão depois deles.

Eu, o Eclesiastes, fui rei de Israel em Jerusalém.


Santa Teresinha de Lisieux – A santa Poeta

Talvez não seja uma coincidência que as duas figuras santificadas mais populares do catolicismo sejam também poetas, a Tereza da face de cristo e o Francisco da cidade de Assis.

Terezinha foi uma Carmelita descalça, viveu dedicada ao êxtase religioso na clausura, dedicando orações em um amor total para a redenção da humanidade, e escrevendo poemas sobre sua vida dedicada a fé.

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Do Poderoso visto as armaduras,
Pois Sua mão dignou-se me adornar.
Daqui por diante nada mais me assusta;
Quem me vai separar de Seu Amor?
Lançando-me, a Seu lado, em plena arena,
Sei que não temerei ferro nem fogo;
Saibam meus inimigos: Sou rainha,
Sou esposa de um Deus!
Jesus, guardarei as armaduras
Que visto ante Teus olhos adorados.
Meu mais belo ornamento, até morrer,
Serão meus santos votos!


Francisco de Assis – Onde houver ódio que eu leve o amor

De Família burguesa, Francisco decide renunciar a riqueza e todos os benefícios dela exalado para dedicar sua vida a simplicidade e a contemplação da natureza divina, não é atoa que o santo poeta é considerado o padroeiro dos animais, pois decidiu viver uma vida simples em comunhão com a natureza.

Senhor! Fazei de mim instrumento da tua paz
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.


Kabir – A sagrada poética do Hindu

A Índia é uma nação onde a palavra por si só é sagrada, não atoá que a primeira ciência linguística surgiu por lá, para preservar a pronúncia original das palavras, com intuito de não se perder toda sua magia divina. Kabir, foi influênciado por sábios árabes e indianos, sua obra foi amplamente divulgada por outro poeta ganhador do nobel, Tagore.

Lá, onde reina a eterna primavera,

Onde o Som Não Percutido soa por si só,

Onde a Luz Imaculada preenche o espaço todo;

 

Lá, onde milhões de Bramas lêem os Vedas,

Onde milhões de Vishnus inclinam suas cabeças,

Onde milhões de Shivas imergem em contemplação;

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Lá, onde milhões de Krishnas sopram suas flautas,

Onde milhões de Saraswatis dedilham as douradas vinas,

Onde a miríades de deuses, anjos e iluminados vivem contentes;
Lá, nessa outra margem que poucos alcançam,

Nessa praia distante, meu amado Senhor se desvela

E o odor de flores e pasta de sândalo perfuma esse confim


Teresa de kolkata – O serviço do Amor

Continuando na Índia, porém mais contemporânea, mas não menos misturada culturalmente, temos a Madre Teresa de Calcutá, auxiliadora dos pobre, fez um trabalho imenso, ajudando as pessoas em estados mais extremos, a encontrar no meio da imensa multidão de pessoas da Índia, um pouco de auxílio, cuidado e cura. Além de uma filantropa, e Religiosa, Teresa também era uma poeta.

O fruto do silencio é a oração

o fruto da oração é a fé

o fruto da fé é o amor

o fruto do amor é o serviço

e o fruto do serviço é a paz.


Audre Lorde – A fumaça das cidade não apaga a ancestralidade

Uma questão de fé, pode também ser uma questão de luta, quando toda uma sociedade marginaliza sua ancestralidade e suas crenças. Por isso que Audre Lorde, que se intitulava em alto e bom tom “negra, lésbica, mãe, guerreira, poeta” , também fez de sua poesia, além de veículo de luta e resistência, um modo de expressar a fé de toda sua ancestralidade.audre-lorde

O coração da tradição deste país são os homens-trigo
morrendo por dinheiro
morrendo por água por mercado por poder
sobre as crianças de todos
eles se sentam em suas correntes sobre a terra seca
antes do anoitecer
contando lendas enquanto esperam sua vez
de conclusão
esperando que os jovens possam ouvi-los
medos que abalam a terra coroam seus pálidos rostos cansados
a maioria deles passam suas vidas e de suas esposas
trabalhando
a maioria deles nunca viram praias
mas enquanto Oyá minha irmã move a boca
de seus filhos e filhas contra eles
irei imergir a partir das páginas de seus jornais
pulando fora dos almanaques
ao invés de uma resposta para a sua busca por chuva
eles me lerão
a negra nuvem
significando algo inteiro
e diferente.

Quanto os ventos dos Orixás sopram
até a raiz da grama
desperta.


Adélia Prado – Deus é mais velho e mais belo do que eu

Filósofa e Poeta, Adélia Prado é, sem sombra de dúvidas, junto com Conceição Evaristo, as mais consagradas escritoras da Literatura Brasileira. A Poeta nunca escondeu a face divina e contemplativa de sua poesia, alguns dos seus textos ela batizada de oração, católica, também se dedica a sua igreja, além de texto, com algumas conferências de investigação religiosa.

Louvado sejas, meu Senhor, pelo fragor da tua luz,
Bendito o que vem de Tua mão, morte ou vida.
Mais me colhe Teu amor que a força da tempestade.
Os elementos Te louvem em fúria ou calma.
Diga eu sim ao Teu chamado,
venha Tua voz do trovão
ou de entre as flores do prado.

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Os ventos que me levaram ao MARoriGINAL + Livro Gratuito para Baixar

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Eu e Madjer

Um ano havia se passado desde o lançado do meu primeiro livro, o Três goles d’água, por sinal como uma recepção melhor da imaginada por mim.

Eu, Nathan e Madjer estávamos em um trabalho sem tamanho, maior do que o suposto que teríamos, porém o prazer de ver publicações de extrema qualidade gráfica e literárias na cidade de Fortaleza era uma recompensa sem tamanho para jovens tão idealistas iguais a nós.

A torrente de ideias e planos futuros não cessava. Estávamos contentes mesmo com nenhum um sinal de lucro possível.

Certo dia em conversa com o Madjer, ele me confessara o desejo de colocar em prática uma ideia de um livro mais econômico, algo que pudesse ser vendido e até distribuído caso o autor arcasse com os custos. Algo assim estava fora das possibilidades da Substânsia. Nascia o selo BR LUZ KM ÚNICO, criado por Majder.

Precisávamos convencer o Nathan a aderir a ideia, e realmente não foi difícil. Pensamos em publicar no selo micropoemas, haicais, pequenos romances, contos, que coubessem em um formatinho de até 64 páginas, econômico, fácil de carregar. Era para dar no bolso, literalmente e metaforicamente.

Poemas curtos sempre fora uma paixão, pela admiração que tenho por Cacaso, por ter iniciado a escrever através da internet, dos blog, logo depois o Twitter e percebi o potencial da linguagem poética concisa, aparentemente simples, mas de uma dificuldade de execução extrema.

Propus inaugurar o selo com um livro de micropoemas, infelizmente o único livro do selo até hoje, devido à viabilidade econômica da editora para tais projetos mais despretensiosos.

Mais uma vez tive a oportunidade de ter uma capa desenvolvida pela artista Jéssica Gabrielle, e uma edição dos poemas primorosas feitas por Madjer.

Assim surgiu o MARoriGINAL, que você pode baixar gratuitamente Aqui ou Clicando na Imagem

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Outros jeitos de usar o poema

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Foto do instagram da Poeta https://www.instagram.com/rupikaur_/

Pueril, raso, simplista, prosaico, bobo, facebuquiano. Estes são adjetivos mencionados entre alguns críticos acadêmicos, jornalistas e leitores/escritores da internet sobre milk and honey, outros jeitos de usar a boca, na tradução de Ana Guadalupe (entrevista com a tradutora aqui), da Poeta Rupi Kaur. Contudo essas visões não compõe a maioria das opiniões sobre a obra da artista indiana/canadense por um grande grupo de leitoras e leitores.

Há tempos um livro de poemas não havia causado tanto rebuliço no nosso mercado editorial, um livro, detalhe importante, vindo de um outro idioma, nascido, também, de uma mídia nova, o instagram, detalhe igualmente importante.

A primeira reação de uma parte da crítica foi simplesmente desconsiderar o livro e seus textos como poesia. É desse ponto em específico que quero conversar com vocês. Nem adentrarei no papel autoimposto por algumas pessoas de serem, por mérito ou formação acadêmica, importantes o suficiente na validação e qualificação de obras, esquecendo os leitores (recepção) nesse julgamento.

Existe, em literatura, algo chamado cânone. O cânone é uma instituição abstrata que reúne dentro de seu território todas aquelas obras consideradas esteticamente e historicamente de valor inestimável para a humanidade. Ele pode ser maravilhoso, pois funciona como o mapa das minas do rei Salomão, entretanto, a defesa extrema dele pode causar algumas ilusões, uma delas é de que a Literatura é estática, possui uma forma definida e definitiva. Não é.

A arte literária modificou-se, modifica-se profundamente ao longo dos anos. O tipo de papel, o tipo de suporte, o modo como se concretiza a leitura, são elementos chaves nesse nosso fazer das letras. Mas o apego ao cânone não nos permite outros jeitos de usar o poema.

Rupi escreve poesia. Sim, P O E S I A. O fator de se realizar primeiramente em um tipo de suporte diferente, ou utilizar elementos intersemióticos como a ilustração, ou a própria fotografia, no caso de quando ela publica diretamente em sua conta do instragram, ou até mesmo o tom confessional, aforístico, em alguns casos pedagógicos, não é motivo de tomar-lhe, como se fosse um divino de alguns, o status poético dos seus textos. A Literatura árabe, indiana, e até a cristã também usa esses elementos. Aqui no Brasil, o concretismo tão reverenciado pelos intelectuais, já que o movimento nasceu estritamente da proposta de intelectuais, também usam imagem, som, vídeo como elementos intersemióticos de apoio a palavra.

Rupi, muitas vezes nos proporcionam uma experiência com o Sublime, alguns momentos de catarse com alguns de seus poemas, justamente pelos elementos de que ela é mais criticada, linguagem direta, tom confessional, que gera empatia com o receptor, e a aproximação com algumas realidades, como a violência, o estupro e o machismo.

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Nesse ponto do texto, pode está girando na cabeça de vocês a questão, “mas é bom?” Pra mim, sim.

É o primeiro livro de uma jovem poeta, se fosse eu o editor o faria mais conciso, retiraria um ou outro poema. Em alguns dos poemas não fiquei encantado, mas para quem não tem o hábito de ler livros de poemas, vou confessar um segredo pra vocês, quase todos os livros de poemas são assim, principalmente o primeiro livro de um autor. Mas, na maior parte do livro, a boa sensação de deleite me percorreu.

É bom também, ao ler outros jeitos de usar a boca, ter em mente que do mesmo modo de algumas contas de intragram de instapoets , existe um conceito narrativo. No livro temos etapas de um processo de descoberta dos sentimentos, do entendimento de situações e violências, aprendizados de como reagir a determinadas situações. É recomendável também que essa leitura se atente igualmente para a leitura das imagens, elas fazem parte dos poemas e do conceito geral do livro.

Você pode, no fim das contas, não gostar da experiência de leitura de milk and honey, mas peço com gentileza, não desmereça a obra de Rupi, não desvalide sua poesia. Afinal, ela não é ingênua, ela pensou e realizou muito bem um conceito.

Se textos tivessem braços, este que agora escrevo, com toda certeza, abraçaria esta poeta.

Pedro e outras Bombas

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Diferente do que pensa algumas pessoas a poesia é uma arte sempre moderna, não se acanha em se entranhar em todas as possibilidades de existência. No grafite, no vídeo, no livro, no áudio. O poema nunca se faz de rogado, o poema é essencialmente palavra, e é através da palavra que nos inventamos e nos reinventamos.

Um poeta que sabe muito bem disso é Pedro Bomba, aproveita seu grandioso talento cênico e musical, para dispor seus poemas em diversos meios. Os poemas de Pedro estão no SoudCloud, Instagram, estão no vídeo, estão em livro, e também estão na rua, pois o próprio poeta faz de si um suporte, ao modo dos rapsodos, para sua literatura.

O primeiro livro “tradicional”, entre aspas mesmo, pois não há ficha catalográfica, isbn e essas preocupações burocráticas do mercado do livro, de Bomba, habilmente é intitulado por O chão dispõe a queda, que também figura como verso de um dos poemas mais confessionais e sublimes do livro. O livro é chão, pois em sua poética é presente a geografia, como afeto, espaço e memória, e também é queda porque a poesia de Pedro Bomba empurra.

eu tenho aqui

guardado dentro de mim

um monte de bomba

e essa porra toda vai explodir

Além de escritor, terrorista. Mesmo o próprio se defendendo em um outro de seus poemas do livro: o que escrevo/ não são poemas políticos/ de protestos panfletos partidos/ ou coisa do tipo. Dá pra sentir, como leitor, caso fosse possível ele, o Bomba, queria mais era que sua poesia comprasse passagens aéreas para diminuir o espaço da indiferença entre as pessoas, assim como explodir revoltas coletivas entre os famintos, fazendo-os tomarem de assalto os imorais supermercados.

E há espaço para o amor, espaço para dúvida, para o medo, para todas os sentimentos que fazem dos artistas poetas humanos gente bicho frágil solto no mundo. O chão dispõe a queda é armamento bélico pesado, para quem deseja e sonha anarquizar, nem que seja pelo menos a literatura.

Eu nunca entendi… onde se encontra seus ouvidos e seu coração

casa de velho
Capa do EP do Grupo Casa de Velho, com Fotografia de Sávio Félix

Essa é uma postagem musical.

Não entendo muito, falo tecnicamente, de música. Apenas amo e acredito que amar já é uma forma de compreensão. Por isso estava há alguns dias com certa vontade de escrever sobre o assunto, queria falar do incomodo de o Brasil estar fervilhando de grandes artistas, produzindo diversidade, novidades que chegam-me através do Spotfy, das redes sociais, mas do bolo todo quase não escuto falar da fatia de artistas cearenses.

Comecei a pensar motivos, cheguei em alguns possíveis:

  • Não há muitos artistas cearenses produzindo? (NÃOOO) Comecei a contar nos dedos, perdi as contas, muita gente.
  • Eu sou um desinformado? (É POSSÍVEL) Não poderia abarcar tudo, porém não seria esse fato, pois estou conectados, as notícias aparecem, as amigas e amigos compartilham.
  • Questão de gosto, afinal gosto é… ?(MENTIRAAAAA) Esse papo de gosto está cada vez mais desacreditado, o chamado gosto pessoal, tenho desconfiado bem muito dele, não vou nem entrar muito no mérito dessa questão, ainda não quero falar sobre ideias não amadurecidas.
  • Simples desconhecimento…? (PROVÁVEL) A internet ajuda muito, contudo os meios tradicionais de mídia ainda são bem fortes. Não tem música da galera daqui na novela da globo, algumas das galeras nem desejaria isso, acredito e estão certíssimos, tem coisa bem mais importante na vida do que sucesso.

Um grande universo de fatores passaram por minha cabeça, as protagonistas do mercado fonográfico podem colocar pontos mais qualificados que os meus, contudo quero falar sobre um deles, um ponto que influencia não só a música cearense, também a literatura, as artes plásticas, as artes no todo. O querer.

Sim, a bruta flor do querer, não parece glamouroso suficiente sair com um exemplar de um livro da Ayla Andrade ao invés de um do Dostoiévski (não estou comparando os dois, amo e leio as/os dois/duas). Uma grande bobagem, permita-se aí companheira, desconstrua-se companheiro, experimente a arte do lugar.

Querer junto com o permitir-se, aliado ao desconstruir-se, somados ao praticar formam uma equação bem interessante. Uma equação que vai lhe garantir muitas descobertas, de quebra fomentar verdadeiramente tanto o mercado da arte no Estado, colaborando para que ele se torne mais sofisticado e diverso, apoiando gente das suas área. Isso é massa.

Há outras vantagens em trazer seus ouvidos e corações para mais próximos de onde você mora, você poderá encontrar mais facilmente com as pessoas que produzem essa arte, entender o que acontece no seu entorno e aumentar sua autoestima (sabe aquele momento que você disse, cara isso é de uma escritora da minha cidade, freud né, ou saca essa banda, esses meninxs são daqui, maravilhosxs).

Posso mostrar algumas possibilidades:

Casa de Velho: eles acabaram de lançar um EP no youtube, já fizeram alguns shows pela cidade. As letras e sonoridade chegaram certeiras ao meu coração, a imagem dessa postagem é a capa do EP deles escuta só:

https://www.youtube.com/watch?v=-TZbN4PKlIU

Daniel Medina: Uma amiga mostrou a música Lágrima de Índio, fiquei encantado, música tão envolvente, e os bairros cantados, conhecia todos, depois só fiquei mais apaixonado, a música Cancioneta é minha predileta. O Daniel lançou recentemente seu primeiro  Single, vale conferir e buscar mais coisas dele espalhada por aí. aqui alguns links:

https://www.youtube.com/watch?v=oMLBod2w7iA
https://www.youtube.com/watch?v=Vy8jLBuvpXs
https://www.youtube.com/watch?v=WJFoiEII4OA

Lidia Maria: Tem um CD lindo, chamado alma leve, a Lidia compões, toca vários instrumentos e tem uma voz muito linda. Você pode escutar aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=lgUnH8w2TGw&list=PLc74zlNuBDCnv-mHPGryw7r_eJA3H3QRO

Oco do Mundo: Não adianta só escutar, tem que conhecer de pertinho esse bando de gente lindo, poesia, música e diversão tudo junto. Tem esse clipe aqui deles no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=amsNlP8sDec
Para as pessoas que amam Spotfy, tipo eu, tem também algumas artistas do Ceará  que estão sempre no meu play, vou lincar algumas

Lorena Nunes ❤ ❤ ❤ ❤ ❤ ( cinco corações na minha tabela de

classificação, rsrsr poderia sem uns mil ^^ amo muito)

Paula Tesser ( Conheci a pouco, outra indicação de amigos, vicei)

Cidadão Instigado ( Made In Ceará, um mói de gente ama, eu amo também)

Jonnata Doll e os Garotos Solventes (Muito rock´nroll)

Mais que isso é com vocês, pode indicar eu quero, eu gosto.