Desesperado meu coração

Desesperando meu coração quer amar, amar outra vez, mais um dia, mais um pouco. Desesperado meu coração não conhece folga, paz, descanso, só turbulência, vento, sol e ondas chicoteando os pilares antigos da ponte velha. Desesperado meu coração quer saber se há de ruir a ponte velha, a praia de Iracema toda, ele próprio, se um dia as pessoas descobrirão a lagoa da Maraponga. Desesperado meu coração pede férias e desiste, diz fazer dieta e fica faminto, fala em abstenção para depois banhar-se no álcool, na erva, nas pernas, nas coxas doces dos garotos, e em todas essas outras drogas que não dão sentido a vida, mas oferecem o consolo necessário para os corações desesperados. Desesperado meu coração vai viajar, Jeri, Recife, Salvador, qualquer outra praia de longe, pois longe é o dorflex do meu coração. Desesperado meu coração manda mensagem, busca sinal, wi-fi, morre de medo de não conseguir se comunicar. Desesperando meu coração emudece, sente frio, sede, fome, chora sozinho nos dias de domingo quando todo mundo parece esquecer sua existência. Desesperado meu coração ainda crer, enquanto eu crio.

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