Eu nunca entendi… Se Depende de Uma/Um

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Um tempo atrás, enquanto escutava a música da Gal “sem medo, com Pedro”, escrevia uma carta, uma das cartas mais bonitas que já escrevi na vida, endereçada especialmente para uma das pessoas que mais amo na vida, meu melhor amigo.

Eu estava em um grande momento, traçava grandes projetos, morava com uma amiga em um lugar ótimo, mesmo pagando uma quantia bem relevante dentro do meu orçamento pessoal, e aparentemente nos dava muito bem. Era uma daquelas temporadas de felicidades, estava no sublime.

Depois veio a grande onda, a garota do meu convívio mostrou sua face ingrata e escrota, meu melhor amigo se afastou bruscamente por causa do namorado novo, passei semanas sem conseguir escrever um poema razoável. Ou seja, sem casa, melhor amigo ausente, horizontes opacos. Por uns minutos a música da Gal havia perdido o sentido, engano do Talles, enganos.

Não foi a primeira vez de uma situação complicada, passei por diversas situações complicadas, momentos extremamente desfavoráveis onde questionei inúmeros por quês, repensei minha conduta no mundo, desanimei, relevei, senti revolta, estagnei. Só precisava mesmo era relembrar que evolução não é uma reta em ascensão, ou que o tempo, não é igual a luz, não se propaga em linha reta, foi bem rápido até eu relembrar.

A vida encontra-se entre o padrão de expectativa e o padrão de realidade de cada uma/um, algumas pessoas conseguem ir até o fundo de suas energias e garimpar conquistas memoráveis, outras pessoas usam seus amigos e familiares como muletas por não conseguir ir muito adiante por conta própria, alguns ficam paradas por anos e anos, outros simplesmente desistem. Não são os bons ou os ruins, apenas acontece, pelo simples fato de nunca depender só de um/uma.

Os livros de autoajuda são bem desonestos, e aquela gente na televisão também, a todo tempo dizendo que você é a grande responsável por todos os acontecimentos da sua vida. Como poderia? Se um acordo no Japão pode ocasionar falta de comida na América Central, somos costurados numa trama de acontecimentos interdependentes, faça algo aqui, afete a vida de uma pessoa ali, alguém toma uma atitude hoje, você vai passar por uma situação constrangedora amanhã.

Não estou versando sobre fatalidade, ou sobre “não é culpa minha”, pensar como estou pensando tem muito mais a ver com ação, expectativa, sinceridade e responsabilidade. Mais Ação para pode agir e sair das estagnações, menos expectativas sobre si e sobre o outro, sinceridade para reconhecer nossos próprios limites e nossa força de vontade em determinadas situações, responsabilidade, pois toda ação nossa vai repercutir em alguém, então não transforme a vida do/a outro/a em um inferno.

Os modelos de perfeição podem nos levar a exaustão, porém se tiver energia sobrando rume para lá. A grande questão não é poder ou não poder, sim não adoecer por poder ou não poder, as importâncias são flutuantes. Não é que viver seja bom ou ruim, viver é viver, e não tem fórmula, pois depende, e quando dependem os resultados são inesperáveis.