Eu nunca entendi… quando acaba, o fim.

Quando acaba o fim de semana chove rumores de tristeza nas redes sociais, quando um relacionamento rui é “riscado”, para usar a expressão de minha mãe, nascer daí um livro, um álbum de música. Quando começa, não. Os envolvidos no início aplicam toda a sua energia para erguer o novo até sua verdeira plenitude, a energia investida é para fazer girar a roda inicial dos projetos e relacionamentos.

O início é amado, adorado.

O Fim lamentado, sepultado.

O fim é amargo, pois não poupamos de aplicar-lhe mais amargor.

O novo é cheio de esperanças, parido de luz.

O vácuo que fica nessas comparações é o simples fato de ignorarmos o fim como a possibilidade de um início. Fechamos as cortinas, abandonamos o teatro, porém no outro dia uma nova sessão é oferecida pela vida.

Isso é uma visão positiva, comigo acontece um pouco diferente.

O fim nunca acaba, eu não sei quando termina um livro, desconheço os caracteres surgidos na grande tela ao fim dos filmes.

O amor desata de mim, vai embora, mas eu não fico sabendo.

Dentro do meu universo as coisas ficam reverberando para o infinito. Aquele beijo atrás da porta do banheiro do shopping, sinto o gosto até hoje.

Pode parecer esquizofrênico, verdade, eu nunca conheci o gosto verdadeiro da morte nos meus lábios, meu pai estirado na cama, lembro que não chorei. Durantes alguns anos pensei que fosse um insensível, mas com os anos entendi, no meu coração, quando cruzo a Leon Gradvhol, parece que vejo meu Pai fazendo o jogo do bicho. Não entendo a falta.

Esse estranho modo pode me fazer parecer um fruto suspenso, um homem sem raízes, um ser sem apego. Os desapegados são vistos com muita desconfiança e mal gosto pelos que os circundam.

É trágico, há sempre um fiscal para flagrar um gesto de apego de um desapegado, para com o dedo em riste lhe desmascarar perante a comunidade.

Não consegui alcançar o desapego, não precisam fiscalizar meus atos, sinto-me até muito encravado no chão de muitas pessoas, lugares e desejos, o que tiraria de mim facilmente essa tag, desapego.

Entretanto, no meu universo pessoal os fins são tão desvalorizados, pela questão de não os entender, ainda acredito que as histórias não acabam, reverberam. Aquela vez em que você me abraçou e saiu correndo para pegar o ônibus, acredite, está acontecendo até hoje, aqui, em mim.

 

 

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