Eu nunca entendi… Porque não vens aqui beijar minha boca

Beijo-Rodin

Beijo na boca é algo muito bom, se não o fosse não existiria tanta gente aí espalhada pelo mundo querendo beijar, independente de muitos fatores sociais, econômicos, as pessoas querem um bitoquinha, pode ser um selinho, ou um beijo de língua, beijo de cinema, beijo molhado, beijo seguido de mão no cangote, beijo encostado na parede (famoso beijo de briba), beijo deitado na cama, beijo longo de perder o fôlego ou enxurrada de beijinhos rápidos. Beijar é bom.

Toda uma ansiedade em torno do tema beijo é construído em nossas vidas, e não falo daqueles segundos em que você olha no fundo dos olhos do outro, aproximando-se lentamente, querendo entender se o sinal está aberto para o esperado encontro dos lábios; e sim a ansiedade de “Será que um dia serei beijada”? calma, isso é uma questão de tempo garoto/garota. Seu beijo maravilhoso há de chegar, talvez nem seja tão maravilhoso assim no primeiro, no segundo, no terceiro, porque nas ars do amor o tempo é um ingrediente deliciosamente fundamental.

Para algumas pessoas o tempo de espera do primeiro beijo pode ser maior, ou o intervalo entre um beijo e o próximo, por um determinado número de fatores, dentre eles alguns cruéis tipo padrões e esteriótipos, tão carrascos na nossas adolescência, assim o gordinho negro de óculos não vai se dar bem tão rapidamente na vida afetiva, espera ruim para garota e o garoto que estão explodindo por dentro junto com os milhões de hormônios delas/deles.

Assunto  tão trivial assim pode ser traumático para muitas, infelizmente está fora de sala de aula, educação sentimental para vida seria dever nosso de educador, demonstrar que padrões são estabelecido culturalmente, e da pior forma, midiaticamente. Você que cresceu nos anos 90/00 deve ter sofrido maus bocados por causa desses padrões.

Fazer ruir toda a herança machista, racista, elitista é tarefa nossa do dia-a-dia, você pode até não atentar para esse fator, mas amar é um ato político, desconstruir as nossas certezas de beleza é necessário, perceber o corpo do outro como possibilidade assim como perceber-se assim como possibilidade é fundamental, dizer um não para os padrões de beleza da mídia, dos seriados americanos, das novelas da globo é uma questão de dignidade humana.

Alguém pode achar o que digo uma tolice, mas a solidão não é nada engraçada, no fim das contas estou falando sobre isso, solidão de pessoas fora dos padrões, de pessoas que anseiam participar do mundo dos amores, de gente que quer ser beijada e sentir-se querida nesse ato.

Toda desconstrução de si é trabalhoso e dispendiosa de tempo, colocando-me como exemplo, Eu que já não era fora dos padrões, lá nos idos dos meus 15 anos de idade, tinha certo receio de ficar e evitava os meninos afeminados, como percebi que era uma tolice isso, hoje inclusive amo, derrubei muitas outras barreiras dos padrões estéticos, vez ou outra ainda tropeço em algumas delas, mas tento me ver com criticidade e questiono-me, “como assim não faz meu tipo”, “em que momento esse mito ‘meu tipo’ surgiu”?

É um desafio distinguir dentro de si preferências de preconceitos, ou gosto pessoal com padrões estéticos incutidos na nossa cabeça. Até brinco com meus amigos dizendo que estou na moda, o tal esteriótipo da pessoa “Urso”, mas e depois, quando a moda passar, e voltar o padrão dos anos 90 de pessoas de corpos perfeito volverei ao nada afetivo ? Penso que não, pois nunca antes todos os padrões foram colocado tanto em questionamento, vamos prosseguir questionando, porque todo mundo tem o direito de beijar bem muito, e ser feliz por isso.

 

 

 

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