Centro Cultural Banco do Nordeste prepara programação especial para comemorar o mês da poesia.

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O Mês de março é especial para a literatura. Desde 1999 na XXX Conferência Geral da ONU ficou estabelecido que o dia 21 deste mês seria consagrado a comemorar o gênero que é a gênese da literatura no ocidente, a poesia. Em todo o mundo, nomes como Safo de Lesbo, Rimbaund, Fernando Pessoa, Gabriela Mistral, Yu Xuanji, Manuel Bandeira, José Craveirinha, Maya Angelou, Pablo Neruda, Wislawa Szymborska, Patativa do Assaré são celebrados.

O Centro Cultural Banco do Nordeste não poderia ficar fora desta festa, por isso preparamos uma programação especial:

A celebração inicia-se com a oficina da poeta e cineasta pernambucana Taciana Oliveira, sob o tema “A imagem da palavra: Oficina criativa de narrativas poéticas audiovisuais”. O objetivo é debater sobre o universo da criação literária, que dialoga diretamente com a construção da narrativa visual na criação do roteiro cinematográfico e na produção de narrativas para gêneros audiovisuais. A Oficina acontece nos dias 20, 21 e 22/03 às 14h. As inscrições podem ser feitas na recepção do Centro Cultural até o dia 18 de março ou pelo email cultura@bnb.gov.br até o dia 19 de março; informando nome, e-mail e telefone do participante.

No dia 22 às 16h receberemos o Poeta Pablo Pessoa como convidado do Clube de Leitura Inspiração Nordestina para conversamos sobre o tema “Os poemas fundamentais”.  Abordando os poemas e poetas que mais influenciaram e influenciam nossas vidas. Convidaremos o público a trazer seus poemas e poetas prediletos. Além do bate-papo, faremos uma roda de leitura.

Concluímos nossa semana especial no dia 23 de Março, com o programa Literatura em Revista, no qual receberemos o Editor e Poeta Madjer de Souza Pontes e e as escritoras e escritores da Editora Substânsia, para conversarmos sobre os conceitos, a escrita e a publicação de poemas. Além do bate-papo, teremos um recital com uma mostra do que esta editora, que está fazendo 05 anos, já produziu no gênero.

A programação de Literatura do Centro Cultural Banco do Nordeste tem a produção do poeta, produtor e mediador de Leituras Talles Azigon. Toda a programação é livre, gratuita e aberta ao público.

 Serviço  “Março Mês da Poesia, Centro Cultural Banco do Nordeste”

Data: de 20 a 23 de Março

Local: R. Conde d’Eu, 560 – Centro, Fortaleza – CE, 60055-070

Maiores Informações

85 981543909/ 85 3209-3500

tallesazigon@gmail.com

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A desobediência ao sistema literário em Saral. Por Tuyra Maria

A Poeta e Professora Tuyra Maria da Cruz Andrade, em seu trabalho de conclusão de sua pós-graduação, escreveu sobre a experiência do Saral. O texto na íntegra você pode conferir clicando no link abaixo da imagem.

poesia marginal

A “DESOBEDIÊNCIA” AO SISTEMA LITERÁRIO COMO AFIRMAÇÃO DA POESIA MARGINAL EM “SARAL”, DE TALLES AZIGON (1)

5 perguntas e 5 respostas sobre o Saral

  1. Se uma pessoa pode pagar qualquer quantia, porque o Saral não é logo de graça?R = O fato do livro Saral ter um preço é porque produzir um trabalho gera custos, impressão, diagramação, distribuição, se alguém pagar 50 centavos, é contrabalanceado pelo fato de alguém pagar 50 reais. A lógica aqui é, quem pode, pagar mais no momento, paga mais. Contudo, na lógica do preço as coisas não são tão absolutas como parecem, afinal, para quem vive com pouco 50 centavos pode fazer toda diferença.

    É bom lembrar, para quem é artista, a arte é sua substância de trabalho, e quando uma pessoa que tem dinheiro, mas nunca foi educada para consumir arte, se vê na situação na qual é necessário investir para ter acesso a um produto artístico do/da artista, esse processo é educativo.

    No primeiro Saral, eu queria entender como as pessoas de Fortaleza percebiam  a dicotomia preço/valor diante um livro de poemas, as coisas que descobri relatei nesta publicação

    Como eu acredito que ações que beneficiam a coletividade devem ser facilitados pela coletividade, o financiamento colaborativo é uma etapa imprescindível para o Saral, na primeira edição tivemos uma vakinha  e agora no Saral #2 temos a campanha no catarse.me/saral  

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  2. Por que saral com l e não sarau com u?R= Essa é uma pergunta recorrente, por alguns fatores. Sarau com u, é uma manifestação coletiva, principalmente de poesia e música, mas que cabem todas as linguagens artísticas, incluindo até o prazer de falar em público sem nenhuma finalidade artística, ou o processo educativo de compartilhar conhecimentos e reflexões. Então, desejava aproximar o livro dessa energia linda que é um sarau, mas queria colocar alguma marca de distinção para dizer que era o livro, não o acontecimento. Outro fator é pelo fato de algumas pessoas acharem que erram  quando fala o coletivo de sarau, sarais, e o livro quer dizer que em linguagem , o erro só existe no conteúdo, quando é um conteúdo racista, homofóbico, machista, preconceituoso, nunca na forma. A língua é livre como os poemas e os pássaros.
  3. O saral é economicamente viável ou ele é um projeto de acessibilidade econômica literário? R= Depende do que você acredita o que significa economicamente viável. No sentido investimento / lucro nesta postagem eu dei alguns números https://tallesazigon.wordpress.com/2018/03/13/quanto-vale-um-livro-de-poemas-a-experiencia-do-saral-livro-saral-para-baixar/
    Porém, o Saral gera benefícios coletivos, pq ele forma leitores, quando alguém vê que existe livros que eles podem sim comprar, e gera reflexões, não só pelos conteúdos poéticos mas pelo processo de construção do livro.
    Contudo é muito bom lembrar que o Saral não é apenas um livro, ele é uma pesquisa/performance/projeto e que a questão do preço/custo para acesso aos livros no Brasil é uma grande problemática que ainda precisa muito ser entendida e debatida.
  4. Por que ter fotografias no Saral#2? R= o Saral #2 catarse.me/saral será em coautoria com o Leo Silva, porque acompanhando o trabalho dele, percebi que as narrativas poéticas fotográficas dele tem toda relação com os poemas do Saral, e pensar as linguagens artísticas de maneira expandida é rico e frutífero, afinal, a separação das coisas é mais uma abstração do que uma vivência nossa.

    SARAL FONTES PRETA

  5. Onde comprar o Saral? R= O saral não é vendido em lojas ou sites, para ter você precisa estar num local onde eu me apresente ou vá falar sobre o saral, por isso ele é também uma performance, ou ajudar colaborando previamente na campanha,  que já garante um exemplar do livro catarse.me/saral

Se a Cidade fosse Nossa

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Conjunto Ceará ❤ 

A Cidade sendo nossa, os poetas a escreveriam, os compositores a comporiam, os músicos a cantariam e os dançarinos a bailariam, novas letras em cada muro, nas ruas de dentro, história passadapresentefutura na linha de rosto do povo que nela morasse, outros postes, praças nas notas sustenidas, sons mais distintos, dos vendedores ambulantes que mesmo ao meio de imensos shoppings não somem, movimentos outros, para além do movimento dos carros e sinais de trânsitos, um silêncio só possível de ser capturado na ponta do sorriso da malabarista de rua.

Isso, evidente, se a cidade fosse nossa. Se a cidade fosse nossa, os moradores não seriam eleitores, seriam pessoas que sentam nos bancos das praças para namorar, levando os cachorrinhos a passear, mulheres que vendem churros a um preço justo.

Teria menos lixo, o homem do lixo seria o homem do livro, a jornada de trabalho bem menor, enfim, dormiríamos mais do que 4 horas por dia. Haveria gente no teatro, gente no cinema, gente no meio da rua, gente nas bibliotecas, lógico, não sendo isso utopia, ainda existiria o tráfico de drogas, e invariavelmente alguém seria assaltado numa rua escura, mas a cidade seria nossa, o que nos daria direito às árvores mesmo continuando a existir homens de fardas muito tristes, em torres tristes, sem conto de fadas.

Outro fato interessante é que existiriam bairros, além daquele onde mora o prefeito.  As pessoas poderiam vivê-los. Não seria necessário encher de tapume algumas ruas quando os chefes de Estado nos visitassem nos eventos internacionais, pois as casas das favelas também seriam a cidade do mesmo modo que são os prédios e os condomínios de luxo.

Se a cidade fosse nossa, ela seria bem maior do praia. Seríamos as praias, os rios, as lagoas, os descampados, os parques, as ruas, os mirantes, os pantanais, e as calçadas.

A Literatura Falada

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Escrevo poemas, três livros de poemas publicados, poemas no facebook, instagram, site, twitter, antologias. Por mais que algumas pessoas digam que há literaturas, o tal consenso só consegue enxergar de verdade aquilo posto em papel, ou em suporte digital, que tem uma existência escrita.

O efêmero, performado tão tranquilamente nas artes cênicas, em literatura não é considerado de modo algum, ou quase não é considerado. Uma pena, pois considero também que faço uma literatura falada.

Como? Fabulo prosas, ideias, com uma estrutura, uma estratégia, esses textos ficam girando na minha cabeça, não os escrevo, é feito na nuvem da minha mente, é divertido, me rouba horas e horas de devaneios, e vez ou outra, executo esses textos durante conversas deliciosas que tenho com tanta gente maravilhosa a quais chamo amigas, amigos.

É uma crônica de sempre, e acontece no diálogo. Eu falo, eu amo falar, sou tagarela, bebi água de chocalho. E há bastante gentes da literatura falada, aquela vizinha ao lado, aquela tia viajante, aquele moço que vende queijo na porta da sua casa, aquela avó da prima da sua amiga, e é de uma potência, uma riqueza, uma pluralidade de estilos. Dificilíssimo de ser digerido como Literatura por uma monte de gente.

Literatura não é a arte da escrita, literatura é a arte da palavra. Um pensamento assim é sofisticado demais para quem vive em função de estabelecer regras estatuantes para as artes. Estamira, Stela do Patrocínio, as Ceguinhas de Campina Grande, são todas elas literatas, mesmo sendo bem difícil aceitar esse tipo de afirmação.

Quanto a mim, nem tudo escrevo, tem muito das minhas criações que prefiro que vá na fala, mas sou um iniciante nessa arte, gosto de observar as mestras e mestres, que conseguem além de criar esse tipo de literatura cativante, na hora da performance, da fala, ainda adicionam mais poder nas suas criações palavrosas.